Quinta-feira dia 18 de junho decorreu na Faculdade de Filologia da Universidade da Corunha o III Encontro do Livro Galego. A tentativa de reunir perspectivas diversas de pessoas investigadoras e profissionais do sector do livro na Galiza cumpriu-se, pudendo contar com a presença de agentes do campo da edição e do mercado do livro, assim como com académicas de diferentes universidades.

O evento abriu com a conferência do reconhecido editor Manuel Bragado: “O libro e a lingua galega no mundo. Retos e oportunidades”. Bragado introduziu a sua diagnose relativa ao estado do sector editorial galego dos últimos anos e à necessidade de entender que, na atualidade, o nosso âmbito de atuação ampliou-se, “afetando-nos mais do que nunca a situação internacional do comércio do livro”. Através de dados quantitativos sobre produção ou facturação, Bragado advertiu que na atualidade existe uma dependência do livro infantil e juvenil no conjunto do sector, representando o 39% da facturação total.
Partindo de um momento que denominou de “entusiasmo” para o sector, que alcançou o pico produtivo e de facturação no ano de 2007, mostrou através dos dados como entre os anos de 2009 e 2010, com a mudança de governo na Xunta de Galiza, começa uma operação de descapitalização do sector editorial. Essa operação política, diz Bragado, teve como resultados que o livro em galego em 2024 fosse apenas de 48,94% de toda a faturação das editoras que integram a AGE. Entre as causas desse agravado descenso nos números, o ex-diretor de Xerais alegou a importância da aplicação do decreto de plurilingüismo e o “declive da língua galega”. Ademais, achegou uma proposta de criação de uma “oficina pública do livro galego”, para um melhor funcionamento e substentabilidade do sector.
Quanto à internacionalização, Bragado focou a intervenção na sua experiência como profissional da edição em feiras internacionais do livro, chamando a não perder de vista a “importância da lusofonia” e da nossa posição estratégica, assim como da diversificação das línguas de edição, avertindo que “manter a oferta monolingue no mercado em galego nom é óbice para uma oferta plurilingue no mercado internacional”. Nesse sentido, concluiu também que a falta de reconhecimento externo deve-se à carência de reconhecimento da literatura galega como unidade, o que pode ser devido a um défice de “estruturas próprias”, sectoriais e nacionais.

Na segunda parte do encontro focou-se a atenção na internacionalização e o papel do sector do livro galego nas feiras internacionais, adiantado anteriormente por Bragado. A mesa acolheu Borja Guerrero Parapar, em representação da OQO Editora. Guerrero colocou experiências de interesse geral duma editora que tem o livro infantil ilustrado como produto central das vendas. A sua proposta editorial é a de “nutrir o mundo infantil de histórias necessárias”. Atualmente, OQO conta com exportação dos seus livros para diversos países do continente europeu, americano e asiático. Na sua intervenção apontou para o album ilustrado digital, que estão a trabalhar como “produto de I+D”, além da necessidade de criar novas maneiras de ler para um melhor aproveitamento dos novos suportes com que contam as crianças.

Por sua parte, a professora da Universitat Autónoma de Barcelona, Olga Castro, trouxe à tona a sua investigação em forma de observadora participante nas feiras do livro de Londres e Frankfurt. A partir delas e da sua experiência como investigadora no Reino Unido, colocou alguns paralelismos entre os casos galego, basco e catalão. Quanto à relação da administraçom pública e o papel das editoras privadas, a investigadora advertiu que está na hora deixar atrás a “falácia neoliberal” que insiste em que a administração não deve interferir na indústria privada, trazendo para a mesa a ideia da criação de um “instituto galego” ao estilo do Ramón Llull catalão.
A última intervenção da mesa foi a de Ana Luna Alonso, professora da Universidade de Vigo, que colocou alguns conceitos chave para entendermos os processos de internacionalização do livro, as lógicas de socialização e compra-venda nas feiras internacionais ou algumas estratégias possíveis para o desenvolvimento de planos de investigação desses espaços. Para isso, centrou parte da sua exposição no trabalho desenvolvido pelo projeto Culturfil sobre as feiras internacionais do livro, que denominou como “pequenas metáforas para entender os campos editoriais”.
Este III Encontro do Livro Galego permitiu continuar com uma linha de debate iniciada nos dous anteriores. Desse modo, o I Encontro tinha como objetivo geral “fixar o ponto de situação e identificar fortalezas, debilidades e estratégias de futuro para o campo editorial galego atual, em relação com os eixos institucional, profissional, profissional, associativo e académico”. No II Encontro, acrescentou-se o diálogo com “outros sectores fundamentais: a distribuição editorial, a crítica literária e as bibliotecas”.